Eu sou dor em toda sua sutileza.
Sou a dor inebriante da loucura;
Sou também o lacerar da tristeza;
As fisgadas constantes da sutura.
Fui a forte dor das contusões injustas,
recebidas co'olhos interrogativos.
Fui a dor imputada, às minhas custas,
a mim mesmo por meus objetivos.
Serei toda a dor das escolhas certas;
a dor das mesmas dúvidas plurais.
Quando as cicatrizes forem abertas,
as minhas vidas estarão libertas
a fim de que encontrem uma vez mais
as dores que não cessarão jamais.
Pintura de Roberto Parda
