domingo, 23 de fevereiro de 2014

Desapego



Essas lágrimas são as últimas.
Creio que isso seja verdade.
Ainda que sejam penúltimas
são de complexa sinceridade.

Uma esperança foi morta,
depois de tantas mutilações.
E hoje eu vejo uma porta
que me chamava entre clarões.

E eu putrefato me arrasto,
buscando essa salvação.
Mas, das lágrimas não me afasto.
Escorre esta lama no chão.

Caio em devaneio. Louco...
Desesperado, em frente ao portão
Sou aquele mendigo rouco
que implora um pedaço de pão.

Cortam-me as artérias...
Meus olhos se espalham na calçada
Sufocam-me as vias aéreas...
Minha dor, nas lágrimas, afogada.

Pintura de Teresa Dias Coelho

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